segunda-feira, 23 de maio de 2011
Castelos na areia, depois cinzas,e finalmente... Fénix!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Cabeçadas no escuro

segunda-feira, 28 de junho de 2010
Um ensino bilingue


Apesar da linguagem especializada ser uma consequência natural da evolução da ciência e do conhecimento, está completamente desajustada ao sistema educativo. Uma coisa é a linguagem a ser utilizada dentro de um círculo de especialistas, que se compreende que seja uma linguagem adequada ao nível de conhecimento que esses especialistas possuem, que evite confusões na comunicação, caso contrário seria como juntar um grupo de pessoas para trocar de ideias, em que uma falava Japonês, outra Espanhol, outra Inglês, etc. Mas uma coisa completamente diferente é tentar apresentar esse mundo de conhecimento a um leigo, a uma pessoa que faz parte da população “comum”, e que está a começar a ser exposta a essa área de conhecimento. Adoptar uma linguagem mais adequada faria aumentar não só o interesse dos alunos que ingressam em determinados cursos e cadeiras, como também cativaria muitos mais alunos a seguirem esse rumo.
Imaginemos um aluno que estuda física e é deparado com um sem fim de fórmulas, ou um aluno que estuda estatística e que se sente assustado com a quantidade de vocabulário técnico e de gráficos sem sentido para ele. Para alguns alunos este até pode ser o melhor método (porque têm uma especial apetência e facilidade em lidar com informação gráfica, com conteúdos abstractos, etc.), mas para grande parte dos alunos este método é desencorajador, desmotivante.
Na minha opinião, a grande causa deste problema é o facto de termos um sistema de ensino baseado na formação dada por especialistas e não por educadores. Os professores que leccionam uma cadeira tendem a ser pessoas especializadas naquela área (mas nem sempre), adoptando portanto a linguagem especializada respectiva. Ninguém está a dizer que os professores não deviam ser pessoas especializadas nas áreas que leccionam, pois não faria sentido nenhum afirmar uma coisa dessas. Faz sentido sim afirmar que não basta ser um especialista naquilo que se ensina.
Todos nós já fomos alunos, e todos nós já passamos por experiências diferentes com professores muito diferentes. A minha experiência diz-me que há dois aspectos chave a ser avaliados num professor além do conhecimento da sua área. Sem estes aspectos, aprender é como comer uma requintada receita... sem temperos. É muito importante que o conhecimento ensinado seja válido, seja relevante para a formação dos indivíduos, mas de que vale esse conhecimento se não conseguimos chamar a atenção dos alunos e despertar a sua paixão?
Um desses dois aspectos chave é a motivação/paixão. Um professor tem de sentir motivação para ensinar, tem de sentir prazer naquilo que faz, pois essa energia motivacional passa para o outro lado, para o aluno. Não há nada como ter um professor apaixonado por aquilo que ensina, pois essa paixão é muito contagiante, e toda a gente já experienciou isto de que falo.

É, por isso, muito importante começarmos a educar educadores, a formar pessoas que saibam transmitir a sua mensagem e que saibam cativar o interesse dos alunos. É necessário continuar a ensinar o jargão, pois quem se quer tornar especialista numa área tem de conhecer a linguagem técnica, mas é também necessário ensinar com recurso a outras linguagens, de forma a despertar o potencial interesse das pessoas. E uma pessoa cujo interesse foi despertado por ter compreendido a lógica por detrás duma linguagem incompreensível, está muito mais disposta a se dedicar à memorização dessa linguagem, e está muito mais motivada para aprender.
Deparei-me, ao longo do meu percurso académico, com inúmeros casos de pessoas que estudavam sem compreender e, portanto, sem aprender. Acho que isto é simplesmente ilógico. A educação deve ser um processo que nos transforma interiormente, que nos faz crescer como indivíduos, e não um processo que nos enche de informação, que nos torna papagaios que repetem aquilo que ouviram, que dias depois já nem se lembram daquilo que tentaram memorizar. Esta é a base dum sistema educativo que procura criar currículos e duma sociedade que tem sede desses mesmos currículos. O sistema instaurado pede resultados em termos de números, e para se conseguir esses resultados e satisfazer essas exigências, muitas vezes nem é preciso aprender. Se os alunos adoptam esta postura é porque é isto que é exigido deles por parte da sociedade, e estimulado por parte do sistema educativo. É exigida uma média mais alta e um currículo mais vasto que incentiva a competitividade, e é estimulado um tipo de aprendizagem superficial devido à linguagem inacessível que é utilizada, que desmotiva e desencoraja os estudantes.
Se queremos educar realmente, temos de chegar aos alunos, falar a mesma língua deles, faze-los compreender, fazê-los aprender. Temos de entrar num processo de verdadeira comunicação com eles, e com isso transformá-los. Mas até aí chegarmos ainda há um longo caminho a percorrer.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Para os amantes da aprendizagem

Uma ponte entre gerações
